Estrangeiros revitalizam Akiya - Colonização cultural ou Reavivamento do mercado imobiliário?
No Japão há uma nova tendência. Vários estrangeiros decidiram revitalizar casas tradicionais antigas, uma consequência direta do rápido envelhecimento da população e do despovoamento das áreas rurais. O país enfrenta uma crise demográfica sem precedentes, com cidades inteiras a transformar-se em cidades fantasma, e milhões de casas vazias, conhecidas como [akiya], sendo abandonadas ou vendidas a preços simbólicos.
A questão é que os japoneses, em geral, não valorizam esse tipo de casas. No Japão moderno, existe um forte viés cultural contra a ideia de morar em casas em segunda mão, especialmente aquelas com décadas de história. Além disso, o custo de reforma pode ser alto, e a burocracia para aquisição nem sempre é simples para os próprios japoneses. Resultado? Casas que ninguém quer. Mas para muitos estrangeiros, essas "ruínas baratas" são verdadeiras joias à espera de serem restauradas.
Há cada vez mais investidores a comprar essas propriedades por valores irrisórios – algumas literalmente custam 1 iene – e transformando-as em cafés, hotéis boutique, residências modernas e até espaços de coworking. Eles estão essencialmente a ajudar a dar nova vida a lugares que, de outra forma, ficariam condenados ao esquecimento.
O Japão é um país que tradicionalmente prefere reconstruir a preservar. A cultura da demolição e reconstrução está tão enraizada que até edifícios com poucos anos de vida são considerados "velhos". Só que isso está a tornar-se insustentável. O país simplesmente não tem mais população suficiente para ocupar as novas construções. Então, enquanto os japoneses evitam essas casas como se fossem amaldiçoadas, os estrangeiros aproveitam a oportunidade.
Mas isso levanta outra questão: Será que os estrangeiros estão a "salvar" o Japão ou apenas a ocupar o espaço que os japoneses abandonaram? Para alguns conservadores japoneses, essa presença crescente de ocidentais reformando as suas vilas pode parecer uma forma de "colonização cultural". Para outros, é um alívio ver alguém a preocupar-se em manter essas construções históricas de pé.
No fim das contas, o Japão terá que decidir se quer insistir em manter as suas tradições inflexíveis ou se aceita que a sua única salvação pode vir de fora. De qualquer forma, esse fenómeno das "akiya" não vai desaparecer tão cedo – e os estrangeiros continuarão a reconstruir um país que, ironicamente, está cada vez mais esvaziado.
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